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Remédios, alimentos e eletrônicos: como a alta do dólar pode afetar o bolso do catarinense

A alta do dólar nesta semana fez a moeda atingir, na terça-feira (2), a maior cotação no Brasil desde janeiro de 2022: R$ 5,66. Economistas ouvidos pelo ND Mais explicam quais produtos e serviços em Santa Catarina devem sentir o aumento nos preços devido às importações na moeda estadunidense.


Segundo Edilene Cavalcanti, economista da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina), de janeiro a maio deste ano, Santa Catarina importou 13,1 bilhões de dólares, superior ao volume exportado (US$ 4,6 bi).


A economista detalhou os três produtos mais importados no período que, segundo ela, devem ser automaticamente impactados pela alta do dólar:

  • Cobre refinado (3,2% da pauta importadora no período);

  • Díodos, componente eletrônico (2,2% da pauta importadora);

  • Produtos laminados de ferro ou aço (2,1%);

  • Polímeros de etileno (1,7%).

Produtos esses, que conforme Pablo Bittencourt, economista-chefe da FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), afetam principalmente os setores industrial, de tecnologia e automobilístico.


“Um conjunto enorme de bens industriais que são necessários aos processos de produção, aí eu cito máquinas, equipamentos, materiais, aparelhos, insumos de produção diversos que serão impactados”


Alta do dólar no cotidiano do catarinense


Ele ainda explica que a alta do dólar deve afetar o preço de adubos e fertilizantes — que impacta na produção de alimentos —, também no preço de medicamentos produtos farmacêuticos, que são importados em grande quantidade.

Quanto aos alimentos, azeite lidera a lista de importações em dólar:,

  • Azeite – 14,17%

  • Legumes congelados – 10,54%

  • Peixe, exceto filé – 8,71%

  • Bebida não alcoólica – 6,36%

  • Vinho – 5,57%


Além disso, Bittencourt afirma que a mudança na cotação da moeda vai afetar o preço do petróleo e afetar o custo do combustível.


Edilene explica como a alta dos combustíveis pode afetar além do valor gasto em combustível por mês.


” O dólar mais alto pode impactar diretamente o custo de transporte e, consequentemente, o preço de diversos produtos e serviços. E, para aqueles que planejam viajar para o exterior, a alta do dólar significa que os custos de viagem (passagens, hospedagem, alimentação) ficarão mais elevados”, complementa.




Quem exporta lucra mais, mas catarinense ainda pode pagar mais caro, diz economista


A economista da Fecomércio explica que Santa Catarina pode se beneficiar da alta do dólar no setor das exportações, onde exporta principalmente produtos agrícolas como soja, carne suína e de frango.

No entanto, ela ressalta que, ainda assim, esse fator pode causar aumento nos preços no dia a dia do catarinense.


“Uma alta do dólar pode beneficiar os exportadores, mas também pode levar a aumentos nos preços internos, já que os produtores podem preferir vender seus produtos no exterior a preços mais altos”, destaca.


O economista-chefe da FIESC explica que alguns impactos da alta do dólar podem ser indiretos e sentidos a médio e longo prazo. Segundo ele, a cotação da moeda afeta a expectativa de inflação, o que aumenta os preços dos produtos e serviços. 


O economista pontua que a possível alta da inflação deve impactar, por exemplo, os preços do médico, dentista e educação.

Além disso, segundo ele, com a desvalorização do real e a alta do dólar, um reajuste da  taxa de juros é esperado ainda em 2024.


“[A alta do dólar] também provoca um freio na iniciativa do Comitê de Política Monetária (Copom) de diminuir taxa de juros. O juro já parou de cair e se continuar desvalorizando a moeda brasileira, já vai passar a ser justificável uma nova elevação da taxa de juros, talvez ainda para esse ano”, explica.

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