• Vinicius Ventura

O tempo, a história e o que permanece.

Ensinamentos através da história de um casal que compartilha sua existência com a história de nosso município


Quem observa o simpático casal que hoje aguarda resiliente a despedida definitiva da pandemia, não imagina os desafios vividos por eles até aqui, tampouco pensa que eles carregam a história do nosso município intrínseca na própria história de suas vidas.


Casemiro Cavalli e Helma Fiori Cavalli, vivem nestas terras de Maravilha desde antes de sermos um município emancipado. De famílias agricultoras e humildes, desde bem cedo ambos souberam que trabalhar e trabalhar era a regra a ser seguida.


Voltando um pouco no tempo, mais precisamente para o início da década de 1960, quando dois jovens se apaixonam e passam a viver seu primeiro e (nos mais de 56 anos seguintes) seu único amor. A jovem Helma, tinha apenas 16 anos junto com Cádio (como Casemiro é carinhosamente chamado) procuraram o padre junto ao seminário, que ficava localizado próximo ao colégio das irmãs onde Helma estudou, pois queriam se casar. Padre José Bunse, muito conhecido pela praça da matriz, que leva seu nome e por ter sido o idealizador da nova igreja matriz, foi quem os recebeu, deu os encaminhamentos e em 24/07/1965 celebrou o matrimônio do jovem casal na antiga capela (foto) que servia como igreja matriz antes da atual ficar pronta.


O casamento de Helma e Casemiro ocorreu na antiga Igreja do seminário, em 1965, quando ela ainda servia como Igreja matriz do município.


A vida como casal, inicia no interior do município, tendo depois vindo morar na cidade, onde Casemiro passara a trabalhar como Motorista. Um destaque para esse período foi no ano de 1977, quando seu Casemiro foi convidado para assumir a missão de ser motorista da Secretaria do Oeste e levar água para a população com caminhão-pipa, pois ainda não havia água encanada no município. Após a amenização do problema da água, houve um período de trabalhos braçais e mais tarde o trabalho com a caçamba.


O casal teve 3 filhos e quando o filho mais novo, Jacir tinha 2 anos, Helma sofreu um derrame e ficou por 42 dias hospitalizada. As forças para superar vinham da fé e do amor pelos filhos, que ainda pequenos precisavam muito da mãe.


Em 1982, a família já com 3 filhos precisou mudar-se para Porto Mauá/RS onde casemiro trabalhou na cooperativa São José. Em 1985, após um tempo no Rio Grande do Sul, Helma sentia muita falta de sua terra e as crianças também, então regressaram a Maravilha e Casemiro encontrou dificuldades para conseguir emprego. Em 1986 voltou a trabalhar como Motorista. E nesse período, voltou a testemunhar grandes mudanças na infraestrutura do município de Maravilha que ainda tinha seus três distritos – São Miguel da Boa Vista, Tigrinhos e Flor do Sertão.


Em 1986, a convite de um amigo chamado “Mentirinha” Casemiro foi fazer um teste para motorista junto a empresa Reunidas em Caçador/SC. No retorno de Caçador veio já com o uniforme em mãos para trabalhar no transporte de passageiros na região indo a São Lourenço, São Carlos, Chapecó e Serra Alta. Com a diminuição das linhas de ônibus, durante um tempo Casemiro trabalhou com um caminhão de uma transportadora local. Período o qual rendeu boas histórias e memórias a este senhor que hoje olho com muito carinho, enquanto o ouço contar as histórias e lembro de tantos momentos assim como os que meu pai compartilhava comigo.


Em 2006, passei a dividir minha caminhada com este casal, que então eram os avós do meu melhor amigo de escola, Jean Lucas. Em 2013 quando sofri um acidente automobilístico, tendo ficado 49 dias em internação hospitalar, a primeira visita que recebi no dia seguinte à minha chegada em casa, foi do seu Casemiro e da Dona Helma, com um convite e um compromisso com a sua história: Ser o ministro que presidiria a celebração das bodas de 50 anos de seu casamento em 2015. Missão aceita por mim e que marca memórias especiais, não só na vida do casal, mas também na vida deste autor, que se considera um pouco filho deste casal também.

Celebração das bodas de ouro do casal, em 2015.



Hoje com quase 56 anos de matrimônio, vividos com muito diálogo e paciência, os pais de Altemir, Sandra e Jacir, e avós de Jean Lucas, Cássio e Ramon, aproveitam seus dias para celebrar a companhia e o amor que sentem um pelo outro e pela família que constituíram. E após muitos anos de trabalho, tendo que viver separados fisicamente pelas viagens feitas pelo seu Casemiro, poder aproveitar o hoje é uma dádiva – e talvez, querido leitor, este seja o maior ensinamento: Construímos cada parte de nossas histórias num episódio único que chamamos de hoje e é essa parte singular de nossas vidas que devemos abraçar com paixão. Assim como fazem o seu Casemiro e Dona Helma: viver de bem com a vida todos os dias.


O título desse nosso texto “o tempo, a história e o que permanece” pode nos levar a inúmeras reflexões, mas, talvez a principal seja: que o tempo nos muda (como podemos ver nas fotografias); que nós fazemos a nossa história a cada dia e todos os dias da nossa vida; e o que permanece? O que permanece sem dúvidas, caro leitor, como vemos diante destes relatos é a fé e o amor.



Nos escritos “Maravilha, nossa gente, nossa história”, iremos apresentar memórias que tornam a História maravilhense tão singular. Esperamos que você aproveite e goste.

Por Vinicius Ventura, professor e historiador.



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