• Bruno Ramos

Investir em dólar ainda é um bom negócio?

Atualizado: Abr 22

Disparadas como do ano passado não devem mais se repetir, mas futuro do câmbio ainda é incerto

Com alta de 30% no ano passado, o dólar no Brasil foi o segundo melhor investimento, perdendo apensas para o ouro que avançou mais de 55%. Qualquer pessoa pode investir em ambos por meio de fundos de investimentos especializados ou até mesmo a compra em espécie ou barra respectivamente, com aplicações que partem, no geral, de R$ 1.000.


Para 2021, porém, o caminho pode ser diferente para o dólar, e isso já começa a aumentar a cautela de investidores e analistas pela aplicação. Por trás da mudança de ventos está a elevação da Selic, a taxa básica de juros, pelo Banco Central. Foi a primeira alta em seis anos, de 2% para 2,75% ao ano, e o consenso de economistas é que ela deve continuar subindo até chegar em algum lugar entre 4% e 6% até o final do ano.


A Selic tem impacto direto sobre o câmbio. É ela que dita a remuneração dos títulos de renda fixa do país e, quanto maior, em comparação aos juros de outros países, fica mais atraente para investidores estrangeiros, o que ajuda a trazer dólares para a economia e a baixar a cotação, ou seja, para quem está iniciando nesse mercado é importante saber esse detalhe. Quando mais dólar dentro do território nacional mais baixa fica a cotação. Usando 2014 como exemplo; nesse ano tivemos a Copa do Mundo no Brasil, cenário ideal para investidores de outros países, bem como o turismo trazerem a moeda estrangeira para o país. O resultado disso, o dólar em julho de 2014 era cotado a R$ 2,80.


A necessidade de controlar as altas do dólar é justamente uma das razões que levaram o BC a voltar a aumentar os juros, e o ajuste dos próximos meses promete ser expressivo, fazendo a renda fixa brasileira voltar a ser razoavelmente atraente – hoje os rendimentos básicos dela estão muito abaixo da inflação há meses. A grande alta veio no início de 2020 ainda no começo da pandemia no Brasil. O dólar subia diariamente em números expressivos trazendo a quem comprou a moeda nessa época ter um lucro de aproximadamente 30%.


Impacto pequeno e dólar acima de R$ 5


Para muitos especialistas, porém, é que o impacto dos juros mais altos sobre o câmbio será insignificante, ou seja, o dólar não deve cair para mais de R$ 5,50 ou R$ 5,40 em torno do qual vem rodando nos últimos meses, já que ainda há muita instabilidade política o que para investidores do exterior é visto como uma disputa de poderes entre Governo Federal e STF por exemplo.


Muito se fala no mercado de câmbio sobre essa estabilização do dólar, pois não é de entendimento de especialistas que o dólar tenha mais para onde subir, e por se tratar de um valor mais elevado, quando ocorre a alta ela se torna muito expressiva no valor do câmbio, principalmente se tratando de papel moeda (ou dólar turismo), bem como a baixa.


Além disso, novos sustos seguidos de novos picos de alta e baixas não estão descartados, o que significa que ter a moeda na carteira neste ano, ao fim, pode significar muita oscilação.

“Realmente, os juros devem subir em um ritmo forte e isso cria, de um lado, um fluxo de valorização para o real, mas, de outro, há um ambiente político muito instável”, disse o diretor de produtos do banco digital Modalmais, Pedro Rosa.


Ele menciona “o avanço da pandemia, o governo pouco coeso, a instabilidade nos ministérios e as questões em relação à vacina” como pontos que seguem nublando a vista dos investidores em relação ao Brasil e, portanto, inibindo uma entrada maior de dólares.

"Não indiciaria ninguém estar comprando dólar agora; eu ficaria observando. E, para quem já tem investimentos em dólar, talvez seja o caso de diminuir um pouco a posição. Toda a indicação macro é de baixa, mas não sabemos quando essa vai acontecer, por conta de todos esses fatores na contramão." Pedro Rosa, diretor de produtos do Modalmais

Para o especialista, incertezas rondam o cenário.


Para Rosa, o cenário à frente é mais o de muita volatilidade e imprevisibilidade e menos o da valorização ou desvalorização consistente. É diferente do que aconteceu no ano passado, quando o estouro da pandemia causou um pânico global generalizado e uma corrida de investidores do todos os cantos de volta para ativos muito seguros, como o dólar e o ouro, não à toa os que mais se valorizaram no mundo todo.


“Tem pouco espaço para a moeda subir de maneira consistente como vimos em 2018 para cá, quando saímos do nível dos R$ 3 para mais de R$ 5”, disse. “Não acho que haja mais ambiente para isso, a não ser que algo completamente destrutivo aconteça no governo. O patamar de R$ 5,70 ou R$ 5,80 já parece ser o topo.”


Economistas com outras visões


Para economistas como Bruno Perini e Renata Barreto por exemplo, a compra do dólar nesse momento é fundamental. Para eles o cenário é avaliado com mais pessimismo em relação aos últimos acontecimentos aqui no país. Ambos citam situações como a absolvição do ex-presidente Lula como um dos fatores que tiram a credibilidade da política brasileira e assim evidencia a guerra política que temos dentro do Brasil nesse momento.


A compra do dólar para ambos não nem uma questão de alta rentabilidade no momento, mas sim como uma forma de criar uma reserva de segurança, bem como, apostar em uma moeda sem históricos de hiperinflação.


Em seu Instagram, Bruno Perini defendeu a compra da moeda e ainda citou o Franco Suíço como uma moeda forte.

Bruno ainda cita que dentro do seu portfólio a moeda americana representa cerca de 10%, sendo o restante distribuído por ouro, bitcoin e investimentos.


Como posso aprender mais sobre?


Eu sugiro a você leitor começar por uma fonte que ensine a você como construir uma educação financeira, bem como, uma reserva emergencial antes de começar a investir. Caso você já possua, comece comprando dólar gradualmente mês a mês. Dessa forma você não vai sofrer tanto com as oscilações cambiais.


Caso você queira acompanhar mais sobre os economistas citados, você pode segui-los no Instagram, são eles: @bruno_perini e @renata.jbarreto. Também aconselho você a seguir o @thiago.nigro para bastante conteúdo sobre educação financeira.


Reprodução: Bruno Ramos, blog

Instagram: @eeubrunoramos






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