• Caroline Sacardo

IGP de SC terá equipamentos para analisar material biológico em casos de crimes sexuais

O Instituto Geral de Perícia (IGP) de Santa Catarina receberá um reforço de mais de R$ 3,5 milhões para investir em novas tecnologias utilizadas na apuração da autoria de crimes sexuais. Os recursos são do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), que aprovou o projeto apresentado pelo órgão pericial destinado à compra de equipamentos.

Trata-se do terceiro maior projeto já aprovado pelo FRBL em volume de recursos. O dinheiro é proveniente de condenações, multas e acordos judiciais e extrajudiciais por danos causados à coletividade em áreas como meio ambiente, consumidor e patrimônio histórico.

O perito-geral do IGP, Giovani Eduardo Adriano, destaca que o processo de análise de material biológico é determinante na identificação dos autores de crimes sexuais. “Agradecemos ao Ministério Público de Santa Catarina e demais órgãos e entidades que fazem parte do Conselho Gestor, assim como aos servidores do IGP, pelo empenho e competência dedicados à confecção da proposta. É um volume de recursos expressivo que será revertido em benefícios diretos ao trabalho pericial e à sociedade, em termos de eficiência”, destaca.

Alto volume de casos em SC


Dados do Ministério da Justiça mostram que, em 2019, a taxa de estupros para cada 100 mil habitantes foi 75% mais alta em Santa Catarina do que a média dos estados brasileiros. Florianópolis, com a 23ª maior população entre as capitais, registrou naquele ano o quinto maior número absoluto de estupros - um total de 251 ocorrências.

A equipe técnica do IGP destaca que um dos mais valiosos vestígios na investigação de crimes sexuais são os resquícios biológicos coletados no corpo das vítimas e no local do crime, misturas complexas de células da própria vítima e do agressor, de difícil interpretação sem o equipamento adequado. Os sistemas também permitirão um incremento na alimentação do Banco de Material Genético de Santa Catarina.

Os recursos serão investidos na compra de três sistemas de equipamentos:

● sistema de fonte de luz alternativa multiespectral: permite a visualização, captura e análise de imagens de manchas e vestígios biológicos em diferentes superfícies;

● sistema de busca automatizada de espermatozoides em lâmina: possibilita a identificação e análise mais sensível e eficiente de células espermáticas;

● sistema de microdissecção a laser: permite isolar as células do agressor das células das vítimas presentes em vestígios de crimes.

Após a aprovação do projeto, o IGP deverá cumprir o cronograma proposto para a aquisição e operacionalização dos sistemas, que inclui a montagem e a capacitação técnica dos peritos que irão operá-los. Concluído o projeto, deverá prestar contas ao FRBL da utilização dos recursos disponibilizados.

Sobre o FRBL

O Fundo para Reconstituição de Bens Lesados é administrado por um Conselho Gestor, presidido pelo MPSC e composto por representantes de órgãos públicos estaduais e entidades civis. Os órgãos públicos são de representação permanente e as entidades civis são renováveis a cada dois anos, por sorteio público.


Fonte: OesteMais

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