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  • Foto do escritorDifusora FM

Criança de 4 anos morre por dengue e mãe denuncia negligência em SC: “podia ter salvado”

Com apenas 4 anos, Sofia Pereira é mais uma vítima da dengue em Santa Catarina. A pequena morreu neste domingo (31), uma semana após o início dos sintomas. Além da partida precoce da filha, a mãe Ana Maria também lida com a revolta. Isso porque o caso teria sido negligenciado pelo médico que a atendeu no Pronto Atendimento de Barra Velha.


A pequena Sofia teve os primeiros sintomas na segunda-feira (25) e foi levada ao PA da cidade. Mesmo tendo recebido a pulseira de prioridade no atendimento, a unidade estava cheia de pacientes e a família demorou para receber a assistência. 


Foi a mãe quem pediu à enfermeira o termômetro para medir a temperatura da filha, que tinha 39,9ºC de febre. Neste momento, Sofia foi atendida e banhada com compressas de água gelada. A febre baixou cerca de sete horas após a chegada delas na unidade. Medicada, ela foi liberada. 


Os médicos indicaram a realização do exame de dengue. Porém, o teste não seria feito na hora. Era necessário aguardar que o serviço de saúde entrasse em contato.

—  Pegaram o telefone e iam me ligar para marcar o exame. E, depois, seriam mais sete dias para o resultado — conta a mãe.


Diagnóstico de dengue


Dois dias depois, os sintomas pioraram. Sem condições financeiras para realizar o teste particular, a família contou com a ajuda de uma amiga da igreja, que se prontificou a levar Sofia na farmácia e fazer um teste rápido da dengue.


—  Deu positivo muito forte, não deu nem segundos e já deu positivo — diz Ana em meio às lágrimas. No local, a farmacêutica deu suplementos e vitaminas para Sofia. A mãe conta que, nos primeiros dias, o corpo da filha aceitou a medicação, mas depois, já não faziam mais efeito.


Com inchaço nos olhos, rosto e barriga, a pequena foi novamente levada ao PA na quarta-feira (27). Lá, sem exames, o médico disse à Ana que Sofia tinha gastroenterite bacteriana.

— Esse médico não pediu exame, não receitou remédio na veia, nada. Deu remédio comprimido, pomada —, diz a mãe, que achou estranho o diagnóstico, já que a filha nunca teve um quadro de doença semelhante.


De quinta para sexta-feira (29), a pequena começou a passar mal novamente. A amiga da família foi quem ajudou Ana a levar Sofia pela terceira vez ao PA. Lá, a menina já teve uma parada cardíaca e foi levada com urgência para o hospital em Jaraguá do Sul.


— O médico de Jaraguá falou que se ele [médico do PA] tivesse pedido exame para ver que tipo de dengue ela estava, podia ter salvado ela. Fui para casa confiando nele — lembra Ana com revolta.


Em Jaraguá do Sul, Sofia ficou internada durante o fim de semana. Ela permaneceu na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), teve registro de sangue no pulmão e, por conta da gravidade do quadro, teve duas paradas cardíacas e óbito confirmado no domingo (31). 


— Pior coisa que aconteceu na minha vida, tive que enterrar uma parte de mim. O amor da minha vida. Tudo que ela fazia era para Deus, para louvá-lo. Era um amor essa criança, onde passava encantava — conta a mãe.


Ana afirma que não deseja mal ao médico que teria atuado com negligência no atendimento à Sofia, porém, diz querer justiça e que vai iniciar uma ação judicial contra ele. 


— Nada que se faça, não vai trazer minha filha de volta, mas espero que ele tenha mais amor no coração, que dê mais valor pela profissão que ele escolheu, mais atenção para as pessoas. Porque ele podia ter salvo a vida da minha filha. Quero justiça. — diz.


O que diz a prefeitura


Em suas redes sociais, o prefeito interino de Barra Velha, Daniel Pontes da Cunha, informou que pediu ao secretário de Saúde que fizesse o afastamento do médico envolvido no caso. 

— Estamos com muita tristeza reunidos aqui na prefeitura de Barra Velha com secretários, corpo jurídico, devido ao falecimento da pequena Sofia. É um momento muito triste para a população de Barra Velha. Não tem como mensurar a dor da perda desse pai, dessa mãe que estão sofrendo nesse momento — comentou o prefeito.


Além disso, relatou que o governo municipal está tomando medidas administrativas e pediu a abertura de uma sindicância para apurar se houve ou não negligência médica no atendimento.

Por NSCTotal




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