• Caroline Sacardo

Cidades de SC admitem aplicação de vacina contra Covid-19 fora do prazo ao TCE

Um levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC), com base em questionário respondido por todas as secretarias municipais de Saúde, apontou que 140 cidades admitem ter aplicado a segunda dose da vacina contra a Covid-19 em um prazo diferente do que o recomendado na bula. Não se trata de vacinas vencidas, mas de aplicação posterior à data prevista pelo fabricante. O número corresponde a 47% dos municípios catarinenses.


As informações prestadas pelas prefeituras apontam diferentes causas para a aplicação fora do prazo. Elas vão desde o esquecimento ou desistência por parte dos cidadãos que deveriam ser vacinados, passando por usuários do sistema de saúde que se contaminaram entre a primeira e a segunda dose – e, por isso, não puderam completar a imunização na data prevista – e descoberta de gravidez após a primeira dose.


A alegação mais comum, no entanto, foi a falta de vacinas disponíveis. Ao todo, 117 municípios informaram ao TCE no questionário que atrasaram a aplicação da segunda dose porque faltaram vacinas.


A informação surpreendeu o superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário. Segundo ele, houve apenas uma situação de atraso na entrega da segunda dose até agora. Foi em abril, quando o Ministério da Saúde determinou que todos os estoques de vacinas deveriam ser usados imediatamente, e muitas aplicaram a segunda dose como primeira.

Na época, o Instituto Butantan, que produz as doses da Coronavac, ficou sem insumos para a fabricação da vacina.


- Foi a única situação em que houve um atraso no envio das doses por parte do PNI (Plano Nacional de Imunização), e isso impactou nacionalmente. Mas foi rapidamente resolvida, em menos de 15 dias todas as doses foram enviadas – diz Macário.


Se o prazo para envio da segunda dose foi ajustado, o mesmo não se pode dizer da procura pelo imunizante. Os “fujões” da vacina preocupam o Estado – segundo levantamento desta segunda-feira, 12, mais de 85 mil catarinenses não retornaram para tomar a segunda dose. A Secretaria de Estado da Saúde tem feito campanhas para alertar para a importância de completar o esquema vacinal.


Raio-X da vacinação


O levantamento do TCE-SC foi feito para apontar eventuais falhas ou lacunas nos programas municipais de vacinação. A coleta e análise de dados ficou sob responsabilidade da Diretoria de Atividades Especiais (DAE), que encaminhou as informações ao diretor-geral de Controle Externo, Marcelo Brognoli da Costa, à Presidência do TCE e ao conselheiro Luiz Eduardo Cherem, relator temático da gestão da pandemia dentro do Tribunal de Contas.


O raio-X da vacinação contou com respostas de todos os 295 municípios catarinenses, enviadas até 21 de maio. As prefeituras responderam a 54 questões, que incluíram infraestrutura, definição de prioridades e controle da aplicação de doses.


Confira outros pontos levantados pelo estudo:


21%

das cidades incluíram grupos entre as prioridades de vacinação, que não estavam nos planos nacional e estadual.


67%

dos municípios catarinenses estabeleceram vacinação em drive thrus.


25%

das cidades de SC não têm internet disponível no local de vacinação, o que pode atrasar o envio de dados e facilitar fraudes (tentativas de tomar a terceira dose, por exemplo).


13%

disseram não ter profissionais de saúde em número suficiente para a vacinação.


4%

dos municípios disseram não estarem preparados para dar conta do aumento de demanda pelas vacinas, com o avanço das faixas etárias.


Fonte: Dagmara Spautz/NSC

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